quinta-feira, 21 de junho de 2018

Salta - La Linda

Após cerca de dez dias explorando as belezas naturais do Deserto de Atacama eis que partimos em direção à Salta - norte da Argentina. Considerada uma das maiores cidades do país, com cerca de 600 mil habitantes, Salta é ao mesmo tempo cosmopolita e cheia de tradições e cultura indígena. A primeira coisa que fizemos foi seguir para um tour guiado que sai todos os dias da frente da igreja matriz, conhecido como Salta Free Tour, há guias que falam em espanhol e em inglês e por quase três horas percorremos os pontos turísticos. Para usufruir deste passeio basta procurar os guias com suas jaquetas laranjadas e o serviço está disponível de segunda a sábado às 10 da manhã, a contribuição é espontânea. 

 Monumento ao General Martín Miguel de Guemes

Basílica de Salta

Igreja de São Francisco

Após uma enxurrada de história local e conhecendo todos os pontos turísticos decidimos quais visitar; não deixe de pegar o teleférico que leva ao Cerro San Bernardo para poder admirar toda a cidade e beber uma boa Quilmes nas alturas. Outra atração imperdível é o Museu de Arqueologia de Alta Montanha que guarda os três maiores tesouros de Salta - Los Niños de Llullaillaco, três múmias incas de crianças encontradas próximas a um vulcão da região, em perfeito estado de conservação. Fotos não são permitidas dentro do museu e a exposição dos Niños, tendo em vista a preservação dos corpos, é itinerante. 

Vista de Salta do Alto do Cerro de San Bernardo

Niños de Llullaillaco

Pelos bairros de Salta

No centro histórico, ao redor da Praça 9 de Julio há vários cafés e restaurantes maravilhosos e um dos melhores e que serve o melhor da culinária salteña é o Aires Caseros, gostamos tanto que fomos duas vezes, a primeira vez que fomos provamos um combo de delícias locais, com as tradicionais empanadas salteñas, tamales e humitas (parecem uma pamonha) e locro ensopado tradicional com feijões, milho, tomates e temperos diversos) - uma big entrada que valeu como almoço, pois é muito bem servido. 



Empanadas do Hotel Brizo Salta - as melhores

Ficamos hospedadas no Hotel Brizo, é bem no centro, próximo dos melhores restaurantes, pontos turísticos e pubs, e possui um maravilhoso bar e restaurante no terraço, que na minha opinião serve as melhores empanadas do mundo, além disso a noite de Salta é bem agitada e não faltam atrações. A cidade é segura e pode-se caminhar tranquilamente durante a noite, claro que como em qualquer grande centro sempre tomando os devidos cuidados. E que tal curtir o melhor da MPB com muito vinho argentino e comida peruana? Combinação exótica não? Então a melhor pedida é o Viracocha, restaurante peruano e culinária andina, lugar maravilhoso com atendimento impecável. 




Salta surpreendeu, uma pena que ficamos poucos dias e não conseguimos desfrutar melhor de tudo que a cidade oferece, pois estando hospedadas lá tiramos um dia para irmos para o Cerro de Las Sete Colores e outro dia Cafayate, ficamos com um "gostinho de quero mais", afinal com toda a razão Salta merece o título de La Linda. 

Nem todas as fotos deste blog são de minha autoria, caso deseje os créditos por alguma foto ou a sua remoção favor encaminhar e-mail para: crisianiii@hotmail.com

terça-feira, 19 de junho de 2018

Onde comer em San Pedro de Atacama

Como boa taurina que sou não deixaria jamais de fazer um post sobre restaurantes fabulosos que conhecemos no Atacama, a cidade é pequena, acolhedora e no que pese a poeira que paira podemos encontrar ótimos restaurantes, mas não se engane, os preços são bem salgados e se quiserem comer bem terão que abrir a mão. 



No primeiro dia chegamos loucas de fome e o cansaço pegou e acabamos escolhendo um lugar onde servia empanadas e chá de coca, não foi uma boa escolha, pois além das empanadas chilenas serem gigantes (nada ver com as argentinas), pagamos muito caro por uma xícara de chá de coca e duas empanadas, e confesso, não me recordo o nome do lugar. Já nossa segunda experiência gastronômica do Deserto foi no La Casona, restaurante fenomenal, com ambiente agradabilíssimo e surpreendente que fica na Rua Caracoles, a principal da cidade; reza a lenda que lá é feito o melhor pisco do Chile, eu provei, é claro, e aprovei. Gostamos tanto que fomos duas vezes no La Casona. 



Outro restaurante imperdível e que fomos jantar, foi o Adobe, é do mesmo proprietário do La Casona, e a qualidade dos pratos e dos vinhos servidos é muito boa, com música ao vivo e fogo de chão é ótimo para as noites frias do deserto, construído todo em adobe ele faz o maior sucesso entre os turistas, parada obrigatória. E adivinhem... Crème brûlée de sobremesa - PERFEITO. 



Existem ainda outros dois restaurantes imperdíveis o Blanco e o Baltinache, que não conseguimos ir, pois no dia que escolhemos estavam fechados. E se resolverem fazer uma caminhada pelas tardes quentes do deserto a sorveteria Babalu não pode passar despercebida, sorvetes de sabores exóticos como de folha de coca, pisco sour e quinoa são algumas das opções, além de sabores tradicionais é claro. E estando por lá não deixem de visitar a feira de artesanato local, é bem interessante pela quantidade de cores, instrumentos musicais e pequenas lhamas fofas. 



E aí bateu aquela vontade louca de beber um cafezinho? Então vá até o Marley Coffee, ambiente roots e com um bom reggae você pode degustar seu cafezinho (que é minusculo mesmo) e comer crepes ou outras iguarias a preço de ouro, como eu já disse tudo custa caro no deserto, mas valeu a pena, fica na Rua Toconao e dá pra matar sim a vontade de café. 




É isso aí pessoal, creio que com este post encerro meu resumão sobre nossos dias explorando o Deserto do Atacama, uma viagem exótica que mudou minha maneira de encarar aventuras desse estilo, agora decidi que quero ir até o Peru, algo que antes do Atacama confesso ser impossível sequer passar pela minha cabeça. Mas vamos lá, afinal o mundo está aí para ser explorado, admirado e experiências de vida sempre são bem vindas. 


Tour Astronômico

O Deserto do Atacama -  considerado o mais árido do mundo - abriga noites de tirar o fôlego, com a paisagem considerada como "as noites mais estraladas do mundo" surpreende os turistas, pois o céu fica muito limpo em quase todas as épocas do ano. Tivemos a sorte de conseguirmos encaixar o tour astronômico, pois para que a lua, as estrelas e os planetas sejam bem observados não pode ser noite de lua cheia, pois sua luz é muito intensa. 


Conjuntamente, países da Europa, Chile, Estados Unidos, Japão e Taiwan uniram esforços para construir o ALMA - maior projeto astronômico do mundo. O telescópio formado por 66 antenas pode detectar luz em comprimento de ondas invisíveis ao olho humano, podendo também registrar imagens inéditas do nascimento de estrelas e galáxias nas primeiras etapas do Universo. Ele também pode estudar a distribuição das moléculas que se formam no espaço entre as estrelas. "A principal característica do ALMA é observar ondas milimétricas e submilimétricas – o que pouquíssimos telescópios conseguem. Normalmente, essas ondas são bloqueadas pela atmosfera, principalmente as moléculas de água. Por isso, o deserto do Atacama, um local muito seco e alto, foi o melhor lugar do mundo para sua construção”, disse Gustavo Rojas, astrofísico da Universidade Federal de São Carlos. (Fonte: clique aqui)


Não conseguimos visitar o ALMA, pois a fila de espera é de quase três meses (então quem pretender visitar o ALMA precisa se programar), mas fizemos um tour astronômico onde conseguimos observar Júpiter, Saturno e seus anéis, várias constelações e o ponto alto da noite -  a Lua - e o melhor, o astrônomo responsável tirou uma foto da lua via telescópio pelos nossos celulares. Uma experiência única, para ser vivida longe dos nossos flash de câmeras fotográficas ou celulares, algo para ficar marcado e só quem observou saber descrever o que vivenciou. Simplesmente fantástico. 

Nem todas as fotos deste blog são de minha autoria, caso deseje os créditos por alguma foto ou a sua remoção favor encaminhar e-mail para: crisianiii@hotmail.com

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Salar de Tara

Localizado a 160 km de San Pedro de Atacama numa altitude de 4.500 m está o Salar de Tara, saímos seis da manhã do hotel, pois a viagem seria longa, a programação foi: Mirante Licancabur, Moai de Tara, Monges de La Pacana, Laguna Diamante, Catedrais de Tara e como saímos super cedo, nossa primeira parada para degustarmos o tradicional café da manhã da Agência Araya Atacama foi com os Monges de La Pacana no semblante, simplesmente fantástico. 




Após o café e cheios de energia partimos para o ponto alto do passeio, As Catedrais de Tara e a Laguna Diamante, é muito importante frisar que esse passeio deve ser feito com uma agência, passamos muito tempo em meio a um deserto sem fim, onde apenas víamos areia pela frente, e nosso guia auxiliando o motorista da van sabia exatamente como percorrer o caminho para chegarmos aos pontos certos. 




O Salar de Tara está localizado na Reserva Nacional Los Flamencos e muitas vezes os funcionários que cuidam do local ainda não chegaram e precisamos recorrer ao banheiro inca, pois o banheiro da reserva é pago e dependemos da chegada dos funcionários para usarmos, mas tudo certo, aventura é o nome desse passeio. 




O passeio ao Salar de Tara geralmente é deixado para o último dia de deserto, principalmente pelo fato de precisarmos nos acostumar com a altitude, é um passeio que dura o dia todo e pela Araya Atacama inclui café da manhã e almoço, pelo valor de CLP 65.000 (cerca de R$ 390,00). Após passearmos pela reserva ecológica iniciamos nossa volta ao centro de San Pedro de Atacama, mas não sem antes pararmos no mirador para observarmos o famoso vulcão Licancabur. 




Certamente um dos passeios mais esperados no nosso tour pelo Deserto e que, como todos os demais, impressionou pela grandiosidade do ecossistema chileno, nos sentimos como formigas diante da imensidão da natureza e a partir de então aprendemos a ver tudo que nos cerca de forma diferente, com mais carinho e cuidado. Como já mencionei acima, seguimos para o almoço que foi servido lá pelas 16h no Restaurtante Bendito Desierto - resto-ar, que é uma boa opção para almoços, jantares e happy hour, principalmente pelo custo benefício. E viva o deserto!

sábado, 16 de junho de 2018

Termas de Puritama

Imaginem vocês, em pleno Deserto do Atacama considerado o deserto mais árido do mundo, eis que nos deparamos com um oásis, cheio de pequenas cachoeiras e piscinas de águas quentinhas, ideal para relaxar depois de dias de aventuras e atividades intensas. 




Há a opção de percorrer uma trilha trilha de 7km antes de desfrutar das águas "calientes" de Puritama, mas nós optamos por ir direto ao assunto, e lá relaxamos nas piscinas naturais e de águas transparentes. Fechamos o pacote com Araya Atacama, onde nos foi servido um coquetel maravilhoso regado a muito vinho, eles oferecem toalhas, mas há empresas que fornecem roupões também, o que acho válido, porque de uma piscina para outra precisamos caminhar e é um pouco frio, mas mesmo assim não tenho do que reclamar, pois a agência Araya Atacama foi muito eficaz em todos os passeios que fizemos com eles. 




Passamos a manhã nas termas e foi uma ótima escolha, pois conforme  o dia vai acabando o frio vem, este foi outro passeio que fechamos lá. Inicialmente não havíamos nos interessado, mas pelos relatos e experiências dos amigos que fizemos no Atacama, resolvermos ir, e foi uma decisão acertada, especialmente porque no outro dia teríamos muita estrada pela frente. 




São oito piscinas,seguimos a dica da nossa guia e começamos pela última que estava vazia, pois todo mundo se empolga e já entra de cara na primeira, assim conseguimos entrar e desfrutar de todas. O ideal é comprar o pacote para o último dia de deserto, assim você segue viagem ou volta para casa com as energias repostas. Dica: óculos de sol, boné e muito filtro solar. Uma experiência única, o blog indica!

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Caravana Ancestral

A cerca de 8 km do centro de San Pedro de Atacama está a pequena localidade de Ayllu de Coyo, onde eu, a Daia e o nosso amigo que conhecemos durante a viagem, o Henrique, realizamos um tour conduzindo lhamas pelo meio do deserto. Vou abrir um pequeno parênteses para falar das amizades que fizemos em cada viagem. Na minha opinião é uma das coisas mais fantásticas que existe, conhecemos pessoas do mundo todo, e o melhor, durante  as experiências mágicas que vivemos, e o Henrique foi uma dessas pessoas, logo de cara quando ele entrou na van para fazermos o primeiro passeio do Deserto já houve reciprocidade entre nós. Assim, acabamos fechando esse passeio com as lhamas nós três. 




Durante quase duas horas de caminhada conduzimos Moro, Blanquita e Tiri pelo Deserto, juntamente com a guia, moradora local de apenas 18 anos de idade que além de nos ensinar a conduzir lhamas, nos deu uma verdadeira lição de vida, com palavras que, certamente, ficarão gravadas pra sempre em nossas memórias.  




Caminhamos até o pôr do sol e ficamos impressionados com a consciência ecológica do povo chileno, no fim do passeio as palavras da guia -  que peço desculpa por não recordar o nome - nos emocionaram tanto que nossos olhos encheram de lágrimas, e o melhor de tudo, a lhama Tiri estava prenha e adivinhem qual vai ser o nome da pequena lhama que nascerá em breve? Sim, Crisi, os nativos conseguem identificar se o bebê lhama será macho ou fêmea, então, haverá uma lhama Crisi para os próximos passeios no deserto. 




No fim do passeio, como de costume, nos foi oferecido um coquetel com vinhos e aproveitamos para conversar um pouco mais ao pôr do sol, e logo voltamos para o centro de San Pedro, porque a noite caía e já estava ficando frio. Um passeio que eu não me interessei quando fechei os demais, mas que chegando no Atacama percebi que poderia ser válido e realmente foi, principalmente por tudo que ouvimos de uma jovem tão nova e ao mesmo tempo tão sábia.