segunda-feira, 2 de julho de 2018

Colonia Del Sacramento

Como estávamos hospedadas em Montevidéu, inclusive num hotel novo e muito confortável em Tres Cruces (atravessávamos a rua e estávamos no terminal rodoviário) - Hotel Ciudadano Suites - compramos passagens pela COT e fomos até Colonia Del Sacramento, onde passamos uma noite para podermos aproveitar bem a pequena cidade cujo centro histórico, desde 1995, foi tombado como Patrimônio Histórico pela UNESCO.





Muitas pessoas perguntam o que fazer em uma cidade tão pequena além de comer e beber, e comer e beber muito bem, diga-se de passagem. Bom, em um dia você conhece tudo, mesmo se fizer um bate-volta saindo de Buenos Aires ou de Montevidéu, mas a meu ver, para aproveitar bem é essencial passar uma noite noite por lá. Durante o dia aproveite para andar sem rumo pelas ruelas, subir no Farol, conhecer a famosa Calle de Los Suspiros, o Portão de La Ciudadela, a Basílica Del Santísimo Sacramento, a Plaza de Los Toros, o Porto dos Iates, além da Plaza Mayor, e ainda, se tiver sorte vai conseguir pegar algum dos museus abertos, passamos por vários e infelizmente estavam todos fechados. 





Aproveitamos que iríamos dormir lá e apreciamos o maravilhoso pôr do sol do Rio de La Plata, algo grandioso e um dos mais lindos que já presenciei. Ficamos numa pousada divina a La Casa del Virrey, com suítes temáticas com nomes de Reis e Rainhas de Portugal, ficamos na Suite Rei Fernando, linda e mega aconchegante. 





A Pousada era próxima do Porto dos Iates e também do centro histórico, onde estão os melhores restaurantes e vasto comércio de roupas de inverno. E como faz frio e venta muito nesta época do ano em Colônia a saída é agasalhar-se bem e beber bons vinhos para nos esquentarmos. Conhecemos quatro restaurantes, o Drugstore que almoçamos no primeiro dia, a comida não tem nada de surpreendente, mas o ambiente é interessante, todo colorido, alegre, muito lindo. À tarde tomamos um café com churros na beira do rio no El Torreón, com um mezanino bem legal para observar o rio e até mesmo o pôr do sol. À noite a orgia gastronômica continuou e jantamos no Pulperia de Los Faroles, simplesmente fantástico em todos os sentidos, desde ambiente, menu e carta de vinhos. E antes de voltarmos a Montevidéu não poderíamos deixar de passar pelo El Buen Suspiro para comermos uma boa picada de queijos acompanhada, é claro, por um excelente Tannat uruguaio - o melhor lugar do mundo para uma pessoa que como eu ama vinhos e queijos. 





Voltamos picando para Montevidéu, mas valeu a pena, a cidade é aconchegante, segura e linda; realmente nos projetamos para o tempo da colonização que, embora tenha sido fundada em 1680 por portugueses, por alguns períodos foi dominada pelos espanhóis, assim, podemos perceber a influência de ambos os povos no local. 


Calle de Los Suspiros

A título de curiosidade, a Calle de Los Suspiros, segundo lendas locais, levou esse nome por ser a última rua por onde os escravos passavam antes de serem executados, mas há quem diga que era um local de casas de prostituição por onde os marinheiros saiam ou entravam na cidade e suspiravam pela beleza das lindas "mulheres da vida", aí fica a critério de cada um em direcionar o devido "romantismo" para a pequena rua. 





Um lugar realmente surpreendente, repleto de carga histórica e que não pode passar em branco para quem estiver em Buenos Aires ou em Montevidéu. 

domingo, 1 de julho de 2018

Bodega Bouza

Como todos sabem, o Uruguai é mundialmente conhecido pela qualidade de seus vinhos, em especial os da uva Tannat e quem for louco por enoturismo como eu não pode deixar de visitar a Bodega Bouza em Montevidéu. Empresa familiar que produz e exporta vinhos foi totalmente reformada em 2002, quando seus antigos proprietários retornaram para a Europa e a venderam, a antiga vinícola funcionava desde 1942, e, mesmo após a reforma, a adega manteve sua estrutura original, ou seja, como os proprietários anteriores eram muito católicos, externamente ela lembra uma igreja. 




A Bodega Bouza está localizada a vinte minutos de Montevidéu e é uma das mais famosas do país, produz vinhos brancos como o Albariño e Chardonnay e  tintos como Merlot, Tempranillo e Tannat. Pelo site da vinícola reservamos a experiência Bouza, que consiste em transporte ida e volta, visitação para conhecer os vinhedos e a produção, e o melhor: almoço harmonizado com vinhos. Além disso, há no local um museu com carros antigos sem contar na paisagem que é de tirar o fôlego. 




Abaixo postarei as fotos dos pratos que escolhi, há na carta duas fileiras, onde se escolhem os pratos e respectivos vinhos para harmonizar, pode-se mesclar as fileiras, fica a critério do cliente. 

 Paté do Campo com notas de destilado de Orujo de Tannat y cebolinhas caramelizadas harmonizado com Riesling 2026

 Camarão Citrus harmonizado com Chardonnay 2017

 Merluza Negra grelhada com molho de açafrão e lâminas de vegetais harmonizada com Tempranillo Tannat 2016

 Carré de Cordeiro com buquê de rúcula e batata doce assada harmonizado com Tannat B6 2016

Folhado de maça com sorvete de baunilha harmonizado com Destilado de Orujo

Menu

Como a sobremesa era harmonizada com um destilado que lembra a nossa cachaça eu pedi para trocar a bebida e harmonizei com um vinho branco que até então não conhecia, o Albariño, certamente foi uma excelente troca. A bodega fica aberta de Segundas a Sábados, e foi uma das melhores experiências em degustação de vinhos que eu tive. Para agendamentos é fácil, basta entrar no site da Bouza que logo logo eles nos respondem e fazem o agendamento com rapidez e praticidade. Para maiores informações clique aqui. 

sábado, 30 de junho de 2018

Montevidéu

Está aí sem fazer nada e cansado das mesmas programações? Que tal passar um fim de semana em Montevidéu? Uma cidade boêmia, repleta de pubs, bons restaurantes e cercada por vinícolas maravilhosas. Eu e a Daia passamos a semana por lá, resolvemos ficar alguns dias a mais porque queríamos conhecer a Vinícola Bouza e também Colônia Del Sacramento. 


Primeiramente gostaria de dar algumas dicas de como se locomover do aeroporto que fica em Canelones até Montevidéu. Como optamos em andar só de uber e havíamos lido que era fácil pegar em qualquer lugar acionamos o app desde a chegada ao aeroporto de Carrasco, então aí fica a dica, geralmente os motoristas de uber não pegam passageiros no aeroporto, eu solicitei três vezes e cancelavam minhas viagens, acabamos pegando um Remis que custou cerca de R$ 100,00 até nosso hotel que ficava em Tres Cruces (reais são facilmente aceitos). Após questionando os motoristas de uber fiquei sabendo que em Canelones o app é proibido e caso algum motorista for barrado pegando passageiros no aeroporto é multado. Para ir de Montevidéu até o aeroporto de uber não há restrição alguma, o que é proibido é a viagem reversa. Outra dica importante, não faça o câmbio de moeda no aeroporto, a cotação é a pior que existe, no centro da cidade e nos shoppings encontram-se várias casas de câmbio com taxa bem melhor, sendo que é importante ressaltar que dólares e reais são bem aceitos em vários hotéis e restaurantes. 


A melhor maneira de conhecer a cidade é pegar o Bus Turístico, ele faz onze paradas e é possível conhecer tudo e não ficar apenas vinculado à Rambla e Plaza de La Constituición. Com ele percorremos toda a Capital do Uruguai, conhecemos parques lindos como o Parque Rodó, o Jardim Botânico e o Parque Prado, além de fazermos as paradas tradicionais na Puerta de La Ciudadela e no Mercado del Puerto, etc... Caso opte por fazer esse passeio no domingo, que foi o que fizemos, pode-se ainda conhecer a famosa feira de Tristán, que só acontece nos domingos, famosa por seu mercado de pulgas, por óbvio que eu não quis conhecer, afinal todos sabem que tenho pânico, pavor, de todo e qualquer tipo de feira. Uma dica preciosa para quem optar por fazer compras na Tristán, todo cuidado é pouco, pois a concentração de batedores de carteira é grande no local. 

 Parque Rodó
 Plaza de La Constituición
Parque Prado - Monumento a la Diligencia

Nós chegamos próximo ao meio dia e fomos direto ao Mercado Del Puerto para almoçarmos, o local tem ampla variedade de restaurantes, mas não são os melhores, na minha opinião para comer uma boa parrilla eleja o Don Peperone e para provar o famoso chivito (sanduíche com filé bovino, queijo, ovo, bacon, alface, tomate, acompanhado de fritas) vá até o La Pasiva, estes restaurantes são de grandes redes e são facilmente encontrados. 

Filé do Mercado del Puerto
Chivito do La Pasiva 
Parrilla do Don Peperone

Passeamos também pela Rambla e é claro que tiramos a tradicional foto no letreiro de Montevideo, além de irmos até o Farol de Punta Carretas. 


Passear, comer, beber um bom Tannat ou uma Patricia para os apreciadores de cerveja, são as coisas tradicionais para se fazer em Montevidéu. Alguns pubs que eu indico são o Bardot (espetacular, nome dado para homenagear a atriz Brigitte Bardot), que fica em Punta Carretas, bairro muito lindo e que vale a pena ser explorado, e também o Fun Fun e o The Shannon Irish Pub localizados na cidade velha. Tres Cruces é outro bairro bem legal para se conhecer, com um shopping de mesmo nome e terminal rodoviário anexo, é ponto de partida para quem sai da cidade para conhecer Punta Del Leste ou Colônia Del Sacramente, e pasmem, não é um bairro que lembra as desgraças que vimos por aqui aos arredores das rodoviárias, é tudo muito limpo, organizado e a Rodoviária com shopping no mesmo prédio é um espetáculo, além de ser bem pertinho do Estádio Centenario e do Obelisco. 


Como eu mencionei, ficamos mais que um fim de semana pois fomos conhecer Colônia e a Bodega Bouza, assuntos para outros posts que virão em seguida, então caros leitores hasta la vista. 

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Quebrada de Humahuaca

No terceiro dia em Salta fomos visitar a Quebrada de Humahuaca, o Cerro de Las Siete Colores, Purmamarca e Tilcara. O que caracteriza toda essa região são suas montanhas coloridas, como o Cerro de Las Siete Colores e a Paleta do Pintor, além de sua flora caracterizada por cactos gigantes. Justamente por causa de seus montes coloridos e natureza exuberante, a Quebrada de Humahuaca foi declarada Patrimônio Natural e Cultural da Humanidade pela UNESCO e recebe anualmente turistas de todo o mundo, principalmente europeus, como pudemos observar. 




Em Purmamarca visitamos o Cerro de Las Siete Colores e a feira de artesanato local, o artesanato é basicamente o mesmo que vimos em San Pedro de Atacama, com a diferença de ser muito mais barato. Paramos ainda para fotografarmos o Trópico de Capricórnio e também passeamos pelo Jardim Botânico de Altitude de de Tilcara, onde conhecemos igualmente as Ruínas de Pucara. 




Já na ida percorremos uma estrada em meio a uma mata fechada que segundo o guia é a selva morada do famoso puma argentino, conhecida como estrada real, a natureza se mostrava exuberante. Não tivemos a sorte, ou quem sabe o azar de nos depararmos com a fera. 




Em Humahuaca, após percorrermos suas ruas estreitas e admirarmos a arquitetura local composta principalmente por casas de adobe com tetos de cana e lama. Fizemos uma pausa para o almoço (havia carne de lhama no cardápio e não tive coragem de pedir, diferente do Chile que elas são animais de estimação, na Argentina elas são alimento), para então iniciarmos o retorno a Salta,visitamos na pequena aldeia de Uquia, onde apreciamos as obras rústicas da pequena igrejinha e ainda aproveitamos para comprar mais artesanato (risos). 




Foi um dia bem cansativo, porém proveitoso, pois fizemos várias paradas, o percurso dentro do carro geralmente era longo e a estrada da ida muito cheia de curvas e trechos perigosos, mas foi um passeio que eu considero imperdível, pela quantidade de obras da natureza que existem entre a Província de Salta e de Jujuy. E assim caros leitores, encerro meu resumo sobre nossa viagem de férias de abril, uma proposta diferente de viagem, onde a busca por paisagens perfeitas desde San Pedro de Atacama até Salta foi o nosso objetivo. Até a próxima pessoal. 

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Cafayate

No segundo dia em Salta fechamos um passeio para Cafayate, a terra do torrontés, a excursão incluía um passeio pela Quebrada de las Conchas, onde paramos num pequeno povoado para fotografarmos com as lhamas e provarmos o famoso pão caseiro local, além de tour pelo Anfiteatro (que leva esse nome por causa de sua excelente acústica) e Garganta do Diabo, formações rochosas que surpreendem por sua grandiosidade. 




Em Cafayate visitamos duas vinícolas, uma bem comercial a Quara, os vinhos dela nunca me agradaram e mesmo estando lá minha opinião não mudou, e outra menor, mais familiar, que fazia vinhos com melhor qualidade e em baixa escala, a Vasija Secreta. Uma dica que dou, Cafayate é ideal para passar um ou dois dias, para que as vinícolas sejam bem exploradas, eu confesso que fiquei um pouco frustrada com o passeio, pois como amo vinho, em especial o torrontés, não pude explorar direito as melhores bodegas, como é o caso da El Esteco. A minha salvação foi o Museu do Vinho em Cafayate, com uma loja que vende os melhores rótulos, onde se pode comprar em taças e degustar lá mesmo. 




No caminho de volta para Salta paramos para conhecer a famosa cidade fantasma de Alemania, vilarejo que surgiu ao lado da linha do trem e que, durante anos, foi o principal ponto de comércio da região, foi colonizada por alemães e por isso leva este nome. Quando o trem foi desativado, as pessoas abandonaram o lugar e o que restou foram as casinhas de adobe e um pavilhão onde alguns artesãos insistem em permanecer, a sensação de abandono é incrível e a eletricidade mal chega até lá.

 Antigo forno em Alemania

 Ponte por onde passava o trem 


Foi um passeio muito válido, é claro, mas a dica que eu dou: tirem um ou dois dias para dormir em Cafayate, assim poderão explorar melhor a cidadezinha que é linda, tem muitos restaurantes ao redor da praça, além de, é claro, visitar as melhores vinícolas locais.